quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

situação crítica

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 16
Temos acompanhado nas últimas décadas um aumento progressivo de faculdades privadas contendo os mais variados cursos superiores, alguns deles com períodos de até 2 anos para sua conclusão.
Procurando facilitar a vida dos seus clientes, criaram-se cursos que compreendem os três períodos do dia (manha, tarde e noite) inchando as salas de aula e consequentemente, diminuindo a carga horária e o tempo de ensino. Infelizmente, o curso de enfermagem é vítima desse sistema e o resultado dessa miscelânea, é a formação de profissionais despreparados e sem a minima noção clínica que nos deve ser passada durante nossa formação acadêmica. Com a demanda de alunos aumentando, temos a escassez de docentes qualificados, material didático inadequado e preparo educacional ineficiente, visto isso são as aulas práticas de anatomia feitas com bonecos industriais.
Tive a sorte de estudar numa universidade federal, com um período integral de ensino. Tive contato íntimo com a vida acadêmica e o respeito com nossos professores se extendia para fora da sala de aula. Foi-nos desperdado a vida acadêmica, o olhar crítico, a curiosidade investigativa.
Milhares de enfermeiros formam-se todos os anos e a grande maioria encontra-se dsprearada para enfrentar a vida profissional. Nosso cenário encontra-se numa situação limite, para não se dizer, caótica.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Uso do Azul de Metileno nas Crises Vasoplégicas em Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 2
A utilização de circulação extracórporea (CEC) em cirurgia cardíaca induz alterações inflamatórias conhecidas desde o início dos anos 70, conforme relato de PARKER et al.Diminuição na resistência vascular sistêmica associada à hipotensão arterial foi denominada por GOMES et al. como síndrome vasoplégica, mantendo correlação com a SIRS.Trabalhos recentes têm mostrado que a infusão de azul de metileno melhora as condições da resistência vascular sistêmica e pressão arterial, diminuindo ou até abolindo as necessidades do uso de catecolaminas.SALARIS et al. relatam a eficácia do azul de metileno na prevenção do dano dos radicais livres aos tecidos do fígado e rins num modelo in vitro de isquemia / reoxigenação.Existindo, conforme FINKEL et al. uma correlação moduladora entre citocinas e óxido nítrico e sendo o azul de metileno um bloqueador da produção de óxido nítrico, de acordo MAYER et al. levanta-se a possibilidade de utilização dessa substância para prevenir a SIRS em cirurgia com CEC.Os efeitos deletérios da CEC, com alterações das funções cerebrais, pulmonares, cardíacas, renais, hepáticas, coagulação e da resistência vascular sistêmica, são bem conhecidos e têm etiopatogenia variada. A síndrome da reação inflamatória sistêmica é hoje considerada um dos fatores mais importantes na gênese dessas alterações.O azul de metileno tem sido relatado na literatura como sendo uma droga capaz de reverter a hipotensão arterial importante não responsiva às catecolaminas, diminuindo e até abolindo sua necessidade. Foi inicialmente utilizado no tratamento da hipotensão arterial do choque séptico e, mais recentemente, em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com quadro clínico de vasoplegia.O óxido nítrico mostra-se em níveis elevados, tanto no choque séptico como na vasoplegia pós-cirúrgica, embora BRETT et al. não relatem aumento pós-cirurgia cardíaca. O aumento dos níveis de óxido nítrico e das citocinas se relaciona à disfunção dos vários sistemas. O azul de metileno, por meio de vários mecanismos como a inibição da ação do óxido nítrico na musculatura lisa vascular e diminuição da lesão de isquemia/reperfusão, poderia ter efeitos benéficos nos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com CEC. A resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela via clássica e alternativa tem como um dos fatores desencadeantes a isquemia/reperfusão, levando à ação no endotélio que regula o tônus vascular através a produção de óxido nítrico, prostaciclina, tromboxane e endotelina. O azul de metileno poderia, portanto, prevenir a SIRS ou diminuir os seus efeitos vasculares.Quanto a efeitos adversos do AM não houve diferenças em alterações clínicas entre os grupos, exceto urina azulada. Do mesmo modo, na avaliação laboratorial observou-se apenas nível mais elevado de K+ no período de 24 horas no grupo AM porém ainda dentro da faixa da normalidade. Quanto a outras alterações especialmente pulmonares que poderiam ocorrer, não houve diferenças entre os valores das pressões pulmonares e resistência vascular pulmonar e gasometria Verifica-se, portanto, que não ocorreram efeitos adversos significativos. Na literatura, os efeitos do AM na função e na vasculatura pulmonares são controversos. ANDRADE et al. observaram, entre seis pacientes tratados com AM, que a RVP aumentou em três, permaneceu inalterada em dois e diminuiu em um. KOELZOW et al. estudaram dois grupos de pacientes transplantados hepáticos com e sem o uso de AM e verificaram que as pressões e resistência pulmonares aumentaram em ambos os grupos após o procedimento, mas não houve diferença entre os grupos em relação a esses parâmetros. PREISER et al., em pacientes em choque séptico que receberam AM, relatam que não houve alteração da pressão pulmonar bem como dos gases arteriais, oferta e consumo de oxigênio. No entanto, WEINGARTNER et al. verificaram leve aumento do índice de resistência vascular pulmonar e piora da função pulmonar, sem contudo ocorrerem alterações do enchimento e débito cardíaco.Na avaliação do leucograma verificou-se, no presente estudo, que ocorreu número absoluto significativamente menor dos leucócitos e neutrófilos no grupo AM ao fim de 48 horas. Embora isoladamente, esse achado não seja definitivo, ele sugere uma menor SIRS no grupo AM.Em relação à avaliação hemodinâmica, na presente investigação, verificou-se que a resistência vascular sistêmica esteve maior em todos os períodos no grupo AM alcançando significância estatística na 6ª hora. No mesmo sentido, a pressão arterial sistêmica diastólica foi significativamente maior na 3ª hora no grupo AM. Esses achados mostram melhor tônus vascular arterial como é esperado pelo mecanismo de ação do AM e a experiência acumulada da literatura em várias condições clínicas como o choque séptico e inclusive cirurgia cardíaca.A determinação do óxido nítrico, na presente investigação, mostrou valores mais baixos no grupo AM de três a 24 horas após a CEC, alcançando significância estatística na 6ª hora. Quando se avaliou o grupo de pacientes que não recebeu vasodilatadores, a diferença foi significativa nos períodos de três a seis horas. Esses achados são esperados uma vez que o efeito do AM é conhecido, diminuindo ou inibindo a síntese de óxido nítrico através do discutível mecanismo inibição da óxido nítrico sintase. O efeito comprovado do AM é a inibição da guanilil ciclase, impedindo o aumento do cGMP ou atuando como receptor artificial de elétrons, desta maneira inibindo a formação de radicais livres Os níveis menores de óxido nítrico poderiam explicar os valores maiores da resistência vascular sistêmica que se observaram na avaliação hemodinâmica, mas o mecanismo mais provável é a diminuição da formação do cGMP pela inibição da guanilil ciclase.Verificou-se que apenas as determinações de óxido nítrico mostraram o caráter inibitório do AM, mas os marcadores da SIRS e os parâmetros hemodinâmicos não tiveram comportamento uniforme. Deve-se ressaltar, no entanto, que a dose de AM utilizada foi muito baixa e isso pode ter influenciado nos resultados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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